Sector automóvel prevê subida de 11% nas vendas em 2015

Não parece haver muito optimismo no sector automóvel, apesar da grande subida de vendas registada no ano passado. A Associação Automóvel de Portugal (ACAP, que representa empresas do sector) antecipa um crescimento de 11% nas vendas totais de veículos ligeiros ao longo de 2015. É uma evolução positiva, mas o ritmo da subida apontado é muito inferior ao de 2014 e também fica aquém do que já se verificou em Janeiro deste ano.

No ano passado, a acompanhar uma retoma da confiança dos consumidores em Portugal, a venda de veículos disparou 36%, quer se façam as contas apenas aos carros ligeiros ou se incluam também os veículos pesados (que, em termos de unidades vendidas, representam uma fatia pequena do mercado). Entre ligeiros de passageiros e ligeiros comerciais, chegaram às mãos dos consumidores aproximadamente 169 mil novos automóveis.

Também este ano já arrancou com uma subida a um ritmo semelhante: foram vendidos mais 30% de automóveis ligeiros do que no mesmo mês do ano passado. Os ligeiros de passageiros tiveram uma subida de 28%, ao passo que a venda de comerciais ligeiros cresceu 48%.

As estimativas apresentadas pela ACAP nesta quarta-feira, em conferência de imprensa, são mais conservadoras. O crescimento de 11% estimado para 2015 significa um total a rondar os 187 mil veículos vendidos. A associação prevê uma subida de 10% no caso dos ligeiros de passageiros, para 157 mil carros, e de 15% nos comerciais, para 30 mil unidades.

Já em Fevereiro do ano passado, as estimativas da ACAP tinham antecipado uma subida de apenas 4% nas vendas, quase dez vezes menos do que acabou por se registar. Na conferência de imprensa, o secretário-geral da associação, Helder Pedro, afirmou ser possível que a estimativa para 2015 “venha a ser corrigida”.

A associação fez questão de frisar a grande diferença entre 2014 e o último ano antes da crise financeira. No ano passado, a comercialização de ligeiros de passageiros caiu 33% face aos números de 2008, ano em que o sector sentiu uma quebra, antes de afundar em 2012. O mercado de comerciais ligeiros encolheu 53%, ao passo que as vendas de veículos pesados ficaram 47% abaixo das daquele ano. O total de veículos vendidos foi ainda 32% inferior à média dos últimos 15 anos.

Os números da ACAP dizem apenas respeito às unidades vendidas, não havendo informação sobre a facturação do sector. “Não temos quantificação, mas aumentou o volume de negócios”, afirmou Helder Pedro quando questionado pelos jornalistas sobre o desempenho das empresas do ramo no ano passado. Contas da associação indicam ainda um aumento de 32% no Imposto Sobre Veículos (pago aquando da matriculação de um veículo em Portugal), que totalizou 466 milhões de euros.

Os dados apresentados mostram que continua o envelhecimento da frota automóvel em Portugal. No ano passado, os carros ligeiros de passageiros tinham, em média 11,8 anos. A subida tem sido constante desde, pelo menos, 2000. Em 2008, a média era de nove anos. Em Dezembro, havia 4,5 milhões de ligeiros de passageiros a circular.

A associação avançou que pretende este ano, em que vão decorrer eleições legislativas, reunir com os partidos políticos e que proporá a criação de um grupo de trabalho interministerial para reformular o processo de legalização automóvel que, critica, está repartido por três ministérios.

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